domingo, 20 de março de 2011

PS.:

Se já fomos advertidos de que toda novidade é ilusão

não arregalem-se os olhos dos senhores

das senhoras, meninos e meninas (e também das solteironas)

se circularem eternamente cambaleantes os meus versos.


Como outrora tudo que mostro já foi visto

Apenas uma garantia posso dar:

o mundo pelos meus olhos é somente meu.

Avenida

Digo-te com a boca que amaldiçoa o dizer: Vá!

Indico-te a porta impetuosamente com as mãos

e sinto quase que por atrofiarem-se os meus braços

que estando esticados e irredutíveis em despedirem-se de ti

clamam por contornar teus ossos, tua carne, teus pêlos.


E tu, amado meu, como se atreve a ser tão tolo?

Dando crédito ao meu palavrório vão

Tu sequer percebes que amordaça o meu corpo

Que grita por ser teu!


E com as costas dadas aos meus olhos

Encerras a porta atrás de ti: - Adeus!

Despeço-me de mim

pois que em vez de ti, amigo meu,

sou eu que estou na rua.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Fragor

Fincado com força estava o contorno de tudo

Como faca enfiada na carne – até o osso

(e agora a lembrança daquele vestido branco ensangüentado)

E também como a mulher que ama a trespassar-se nos lençóis de seu homem:

A Palavra

- Com traços marcados e reforçados de uma acompanhante vivida

Voluptuosa ao deleitar-se nos prazeres dos sentidos

Tragando com garbo a memória e o intento

Soltando a fumaça do bom senso (ou senso) -

A Vaidade

- Com sua pressa em cessar

Nestes tempos em que a fúria é por romper

E também rompante de outro-ser

Ou não-ser – tanto faz a essas horas esgotadas

(o tempo ganhou asas nestes vaidosos dias) –

Matou a palavra:

- Restam os ruídos.

Termo

Os teus olhos são tiranos

Abraçam-me para sufocar e dizem

Silenciosamente

Passo a passo a ser seguido.

- Lugar comum é falar dos teus olhos.

Mas eles de tão tiranos não me deixam outro lugar –

Dito isto, sobra-me desejar que se fechem

eternamente:

- Não direi adeus.